segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A história do Módulo 1.000 - Entrevista com Daniel Romani.

O sábado amanheceu chuvoso na capital paulista e a nave Circo Circuito atravessou a cidade para bater um papo estelar com Daniel Romani, líder da lendária banda Módulo 1.000.

Roqueiro por natureza, Daniel, que mora no Rio de Janeiro, estava em São Paulo para acompanhar o show de Eric Clapton. Esta foi a brecha que o Circo Circuito encontrou para bater um papo com o músico que, nos anos 70, liderou uma das bandas brasileiras de rock psicodélico progressivo mais cultuadas do mundo.

E o papo foi longe.

Com um grande saudosismo e alma de colecionador, Romani cultiva lembranças e materiais raros que recriam no imaginário a história da banda. Entre antigas revistas, flyers e fotos originais, fatos curiosos se desenrolam... “nós montamos com o pessoal da rua uma bandinha chamada Os Quem, que depois se tornou Os Escorpiões, Sindicato do Crime e o Código 20, que foi um degrau para o Módulo 1000”, conta Daniel.


Divertindo-se com algumas situações comuns da época, Daniel conta que, nas batidas policiais, se colocava uma laranja dentro da calca do cabeludo e, se a calça fosse muito apertada e a laranja não descesse, o roqueiro era levado para interrogatório.

Foi da paixão pelo espaço que surgiu o nome “Módulo 1.000”, inspirado pelos módulos espaciais enviados com astronautas à procura do novo. O número 1.000 seria para um módulo projetado ao futuro, profetizando o culto à banda.

Quando a banda mudou-se do Rio para São Paulo, foram morar sobre a Boate Catraka e dividiram o palco com nomes como Lanny Gordin. Dá para imaginar? Pois é, para quem não teve a oportunidade na época, é só na imaginação mesmo. Não há gravação das apresentações da banda. Um dos raros registros é no filme “O despertar da Besta”, do Zé do Caixão, que, aliás, teve algumas cenas filmadas na própria Catraka.

Daniel, muito à vontade, relembra momentos como a festa de lançamento do que se tornaria um dos discos mais raros e procurados da discografia brasileira, “Não Fale com Paredes” pela gravadora Top Tape. “Neste dia penduramos vários exemplares do disco por toda boate, o publico afoito invadiu a casa e pegou todos os discos, não sobrou nenhum”. Esta era a fase em que Daniel sente-se orgulhoso de ter tido “carta branca” para gravar o que gostavam;

“Na Odeon, éramos orientados a fazer um som mais tropicalista, mais brasileiro. Já na Top Tape, nós tivemos a liberdade de fazermos o que gostávamos, que é rock”. E o que ouvimos é uma banda que estava muito conectada com os sons que vinham do exterior. Pois em 1971, lançaram um LP Hard-Progressivo no Brasil, cantado em português. Ainda na Top Tape, gravaram um compacto simples com o pseudônimo de Love Machine.

Romani nos mostra algumas reedições, provando a adoração de outras gerações por “Não Fale com Paredes”. O disco foi reeditado em quase toda Europa e versões piratas foram feitas na Itália, Espanha, Bélgica e até no Japão. Existe também uma bela reedição original em LP (na Alemanha), e em CD (no Brasil) pelo selo Luz Eterna.

Assim como a maioria das bandas que atravessaram a virada dos anos 60 - 70, a paixão pela música, em especial pelo rock, inspirava muitos experimentos. Os ensaios se tornavam laboratórios musicais. No caso do Módulo, um destes experimentos recebeu o nome de Mandun. Eles desenvolveram seu próprio talk-box ainda no começo dos anos 70, antes mesmo disto existir.
“As pessoas não entendiam de onde vinha aquele som”, conta Daniel.

Em meados dos anos 70, o rock, no Brasil, perdeu força. Bandas pouco compreendidas como Módulo 1.000 perdiam espaço na indústria da música. Aos poucos, foram se tornaram lendas.
Mas hoje tudo é diferente, menos a paixão pela música. Daneil Romani continua compondo canções belíssimas, inspiradas em seu amor, Rose. Uma mulher com um astral incrível que recria para os dias de hoje aquela antiga vontade de fazer um som.

Mas agora, ajeite-se nesta cadeira e decole com Circo Circuito através da história do Módulo 1.000.

Aperte o play e entre com a gente nesta viagem espacial.

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Programa Circo Circuito
A Luta nunca vai parar!

6 comentários:

  1. Daniel Cardona Romani28 de novembro de 2011 20:44

    Quero agradecer ao Programa Circo Circuito por ter proporcionado a mim esta oportunidade de poder falar um pouco sobre o Módulo 1000, este projeto musical que teve origem nos anos 60 e que permanece vivo em sua trajetória espacial, visando levar a música para órbitas longínquas muito além do nosso sistema solar.
    Obrigado a vocês, Felipe, Tiago e Gregor, por tudo que fizeram para realizar esta entrevista Best, Daniel C. Romani - Módulo 1000.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Vai ser com grande prazer que dia 10 de dezembro, esta figura, um dos precursores do rock psicodélico brasileiro estará junto no palco conosco da banda Tatubala. Aqui no Espaço Multifoco, na Lapa, Rio de Janeiro.

    Bacana a entrevista! A arte é como um filho. Você cria e ela dura anos. Então podemos redescobrir as histórias e sons daquela época, mesmo que não vivemos ela. Abraços Paulinho de Castro - Tatubala

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  4. Grande mestre Daniel, parabéns pela entrevista. A história do Módulo, nós sabemos, é muito bonita, saudável, que sintetiza toda uma época de reviravoltas culturais, e mentais, no nosso país e no mundo. Me orgulho muito de ser seu epígono e de ter participado ativamente deste processo importante, da abertura do leque musical tupiniquim.
    Grande abraço, Eduardo Leal.

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  5. Paulinho, tudo bem?!
    O Daniel falou muito bem da sua banda e deste grande evento que unirá este grande músico e esta grande nova banda!
    Eduardo, fico muito feliz em ler um comentário seu, com certeza a importância em uma banda é mútua e com isso você também foi peça fundamental desta grande história!!! obrigado e sinta-se em casa!!!
    Abraço do Circo Circuito - Lipa.

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  6. Aprendo dia a dia!! Genial!
    Pregunta y paso al modo br: Como limpar o vinil?
    Saludos desde Uruguay.

    Sofia

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